A Guerra dos Mundos

Publicado: 31 de agosto de 2010 em Adaptações, Livros, Nerdices
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Howdy?

Esqueça aquele filme terrível que saiu em 2005. Vamos falar da obra original, um romance de 1898 do inglês Herbert George Wells, ou carinhosamente conhecido como H. G. wells.

Eu não sei por onde começar, o livro é bem diferente do filme. Evidentemente que TODA adaptação possui suas diferenças, mas elas nesse caso são gritantes. Vão além de época, e o roteiro em si. O objetivo do autor com esse livro é totalmente diferente do objetivo do filme.

Então, como ouvi uma vez um ditado chinês muito antigo:

“Na dúvida, comece pelo começo.”

O principal objetivo de H. G. Wells nesse livro é criticar a sociedade e os valores sobre os quais ela está alicerçada. Apesar da obra ser de 1898, esse valores ainda são bem atuais, tanto que apesar de todo esse tempo, as críticas feitas pelo autor são bastante atuais.

A obra é bela por fazer com que um livro de ficção científica tenha uma base sociológica tão forte. Seu objetivo está longe de apenas mostrar como os humanos são massacrados por uma inteligência superior. Ela mostra como certos valores humanos são inúteis e totalmente descartáveis diante da adversidade.

Criticando desde o nosso ilusório pensamento de que “somos uma raça inteligente e que outros como nós estão longe de existir”, até crenças religiosas e outros valores que consideramos tão importante.

Logo no início do livro somos colocados diante de uma observação feita por um pesquisador da época, que através de um microscópio está estudando as formas de vida presentes em uma única gota d’água. Os microorganismos são observados sem perceber, estudados, enquanto o pesquisador faz suas anotações, percebe seu ambiente, estuda suas fraquezas, sua constituição e etc.

Uma frase então quebra este ambiente totalmente acadêmico, dizendo que da mesma forma como estudamos esses microorganismos, somos estudados por outras formas de vida tão superiores a nós quanto somos superiores quando comparados a protozoários e semelhantes.

O narrador então relata que foram percebidas nessa época, através de observatórios, unas “erupções vulcânicas na superfície de Marte”. Os Astrônomos então ficam curiosos, mas logo descartam que possa significar algo como o lançamento de naves espaciais em direção a terra. Apenas algum pensam dessa forma, mas não fazem alarde. O pensamento de que a Terra é o único planeta que abriga vida inteligente em nosso sistema solar, e talvez no universo, os impede de pensar.

Então com algum tempo depois, as naves dos marcianos (grandes cilindros de um “metal” desconhecido), fazem uma cratera enorme quando aterrissam nas proximidades de uma cidade do interior da Inglaterra. A população então vai ver o que aconteceu. E veja como somos orgulhosos: uma patrulha de militares é destacada para que os ET’s não sejam mortos pela população ignorante.

O cilindro é aberto por dentro, as criaturas que o pilotava saem e a população fica impressionada com as diferenças anatômicas. No livro eles são descritos como: Seres que não possuem tronco (como nós, humanos), são apenas uma grande cabeça com dois olhos grandes e vermelhos na parte da “frente”, com uma boca em forma de “V”, e muitos tentáculos, que eles usam para se movimentar e manipular objetos. Três desses possuem algo como “apêndices” nas pontas – aparentemente estes funcionam como pés, os outros são mais finos e delicados – aparentemente servem como mãos.

As coisas (como são chamados pela população) então começam a trabalhar, e algo como uma “tampa de panela com uma antena no seu topo” surge na cratera,  começa a atirar um raio de calor que tosta tudo que toca. O povo começa a correr e o exército é enviado para lá.

Você deve imaginar agora, que a população deve ter voltado para a cidade, causado um desespero em massa e a desordem tomou conta de tudo.

Mas acontece o contrário, a população volta pra cidade e tem pena dos ET’s, por que após essa destruição o exército deve ser enviado e os invasores serão todos destruídos.

Então somos apresentados a primeira falha dos humanos, a presunção, o orgulho a prepotência. Pensamos que somos superiores a tudo e a todos. Que não precisamos nos preocupar com nada. Somos totalmente capazes de nos defender de qualquer ameaça que venha de fora. Somos os poderosos do universo, é raridade vida “inteligente” como nós.

Os humanos então são massacrados pelos colossos de metal dos marcianos. Estruturas de 3 pernas, vários tentáculos, que disparam os raios de calor.

Este desenho acima, é do Kevin O’Neil,

um ilustrador britânico que ,na minha opinião, é o cara que melhor representou o que foi descrito no livro. Eu deixei a ilustração dessa forma, com o nome do Alan Moore e do Kevin O’Neil para divulgar que o Volume II d’A Liga Extraordinária coloca os personagens de Moore num crossover das obras de H. G. Wells, A Guerra dos Mundos e a Ilha do Dr. Moreau. Leiam, vale a pena de verdade.

E uma outra observação, creio que a maioria das ilustrações desse post será tirada dessa HQ. Mas com o mínimo de Spoilers.

Continuando…..

Após atacar o nosso orgulho, durante o desenrolar do livro somos apresentados as outras falhas do nosso comportamento ou do que acreditamos que seja de fato importante. Como quando o que importa é a sobrevivência, valores materiais são irrelevantes certo?

Errado.

Apesar disso ficar bastante evidente num mundo prestes a desmoronar, muitas personagens insistem em manter a “pomposidade” de duas vidas. Eles ainda se importam com sua posição social, com suas roupas, suas riquezas, em menosprezar os outros a sua volta. E não percebem que são todos iguais. Todos fogem dos ET’s, com medo da morte, partilham das mesmas rotas, possuem os mesmos medos e necessidades. Mas não enxergam isso, e ao invés de se ajudarem, nem crianças e velhos são poupados.

Em uma passagem do livro, vemos uma fuga em massa da cidade de Londres por estrada de terra pequena demais. As pessoas se atropelam, são pisoteadas, velhos e crianças que ficam pelo caminho não são poupadas. A preservação da espécie, não passa da preservação pessoal. E não da espécie como um todo.

Então percebemos durante o livro a diferença do final dessas pessoas que não se importam com nada além de si mesmas e o final de pessoas que pensam o contrário.

Engraçado é que Wells tem um grande desprezo por esse tipo de pessoa, e compara-os aos animais mais inferiores.

Diante desse cenário a religião é posta à prova. Em dois momentos do livro são feitas críticas a ela.

Primeiramente quando o narrador encontra com um padre que salva sua vida. O padre começa a se questionar sobre “o porque” disso estar acontecendo. Seria um castigo divino? Deus estaria os enviando para punir os pecadores? Os ET’s seriam os juízes e nós os réus?

O padre então começa a demonstrar que não tem outro pensamento a não ser esses questionamentos. Não se importa com muita coisa além disso e do próprio estômago. Ele começa a acompanhar o narrador no início, por gratidão, pois o Padre havia salvado sua vida. Depois o religioso é um estorvo, um peso. Ele não raciocina, não pensa. E o narrador pergunta:

– Do que adianta a religião, se ela desmorona em meio a adversidade?

O próprio narrador (Que até onde eu percebi, pelas suas rezas, preces e afins)  é um crente – no sentido de que crê no divino, mas diferente do padre, ele raciocina e não é tão limitado quanto.

Colocando então a religião uma faca de dois gumes, ela pode tanto inutilizar sua capacidade de raciocinar, como fez com o padre, através do seu fanatismo.

Como pode funcionar em seu auxílio como fez com o narrador. Ajudando-o a lutar para reencontrar sua mulher. Crendo apesar de tudo, que ela está viva, e contando com o auxílio divino para preservá-la sã e salva.

O segundo momento, é quando o narrador se encontra com um velho conhecido já próximo ao fim do livro, e eles começam a discutir sobre o futuro da raça humana. Neste momento, o “velho conhecido” faz uma previsão, de que, enquanto algumas pessoas se rebelariam contra o domínio marciano, outras os veriam como grandes salvadores. Esqueceriam da vida anterior, aceitariam ser criados como simples animais, hora servindo como alimento, hora servindo como entretenimento. Criariam uma nova religião e se acomodariam, adorariam os invasores como salvadores da raça humana.

Aí vemos o papel da religião na nova sociedade, uma ilusão. Uma forma de fugir da realidade e aceitar as novas condições impostas pela ciclo da vida.

Belo não?! Críticas muito bem feitas, mostrando como a religião pode ser utilizada por determinadas pessoas. Fanatismo, Fuga da realidade, ponto de apoio para resistir a provações.

Percebam que o livro é maravilhoso, ele não faz apenas críticas a essas características da nossa sociedade, faz tantas outras de uma forma natural, colocando os humanos no limite, para que o que eles realmente precisam venha aflorar.

Wells crê que essa sociedade está fadada a destruição por ela mesma. Portanto é necessário que ela mude, evolua. Que deixe o orgulho e tantas outras características desnecessárias para que possamos garantir um futuro digno para a espécie, para o nosso planeta de um modo geral.

Apesar da época em que foi escrito, o livro faz críticas bastante atuais.

Agora comparem esta obra maravilhosa com o terrível filme, que mostra Tom Cruise como um sobrevivente da invasão.

Eu estava pensando em falar inclusive sobre os capítulos finais do livro, mas não vou fazer isso, justamente para que fique curiosos, deixem um pouco a TV de lado, o Orkut, Facebook e etc. ( a não ser que estejam divulgando este blog), e vão ler algo que realmente vai te trazer algo construtivo.

É essa a dica, do Nerdices & Afins. Você pode adquirir o livro em lojas online como:

Submarino

custa por volta de: R$ 29,00

E o o site está com frete grátis para todo o Brasil na compra de 2 livros ou mais.

Para mais posts interessantes acesse o novo Nerdices e Afins, O BobNerd.

comentários
  1. Andhora disse:

    Gostei muito do post e de sua análise sobre a obra. Fiquei com muita curiosidade de ler, pois mesmo sem conhecer, eu já havia nao gostado tanto assim do filme… =D

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